Ferrari no Canavial
Em breve, perto de você | Composição evdrops com imagens de João Lima / Pixabay e Ferrari / Divulgação

O CEO da Ferrari afirmou que a empresa tem feito testes com biocombustíveis e que não há nenhuma barreira para sua adoção.

A marca pode ter, contra as expectativas da internet, encontrado o sucesso com sua Luce, mas segue sendo uma empresa que construiu sua história em veículos que rosnam. E, para tentar manter viva a tradição, em tempos em que o aquecimento global começa a rosnar mais alto ainda, com uma onda de calor altamente letal atingindo a própria Europa, ela diz ter a solução que é extremamente familiar aos brasileiros – o “combustível do futuro” que justifica termos incentivos ambientais para carros a combustão interna que só usam biocombustíveis opcionalmente.

Durante uma chamada com investidores, o CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, afirmou: “Nós colocamos biocombustíveis na categoria de combustíveis neutros em carbono. Para nós, eles são parte desse grupo e funcionam bem em nossos motores. Já testamos vários tipos de combustíveis neutros em carbono e o motor funciona muito bem. Nada muda.”

Será a chegada da Ferrari flex? A empresa tem um compromisso de carbono zero em 2030 e, até agora, estava buscando atingi-lo criando híbridos plug-in, como a 849 Testarossa, a 296 GTB e a 296 GTS, e, é claro, a Luce. Os boatos da indústria eram de que havia mais um elétrico na linha, mas acabou adiado. Quem sabe o sucesso da Luce faça a empresa mudar de ideia.

Quanto aos biocombustíveis, eles são um tanto diferentes na Europa do que no Brasil. Por aqui, a polêmica é a invasão da Amazônia por área agrícola e a área necessária para uma substituição total dos combustíveis fósseis (resumindo: seria insustentável). Por lá, a proposta é reciclar principalmente óleo de cozinha usado.

Essa não é considerada uma ideia realmente sustentável. Segundo a Transport & Environment, seria necessário que cada carro consumisse 120 porcos por ano para funcionar apenas com esse tipo de biocombustível. (Aqui no Brasil, cada carro exige 1.600 m² de cana).

Ainda assim, os biocombustíveis entraram na conversa na tentativa em andamento de suspender o banimento da combustão interna na Europa previsto para 2035. Foram explicitamente mencionados como alternativas à eletrificação total.

Fora a frase de Vigna, não há nenhum plano estabelecido para a Ferrari começar a implementar biocombustíveis. Mas, segundo ele próprio, ao menos no que tange aos biocombustíveis ao estilo europeu, é só uma questão de ter na bomba.

Via Autoblog