Range Rover GT lateral
Range Rover GT lateral (Foto: divulgação)

O Range Rover GT foi filmado pela primeira vez em testes na vida real, mostrando com mais clareza as proporções do novo modelo da marca britânica. O protótipo ainda está coberto por camuflagem, mas o vídeo registrado nas proximidades do Nürburgring, na Alemanha, evidencia a carroceria baixa, a linha de teto inclinada e o perfil fastback que diferenciam o GT dos demais integrantes da família Range Rover.

O flagrante ocorre poucas semanas depois de a marca apresentar oficialmente o modelo. O GT será o quinto integrante da família Range Rover e o primeiro a abandonar a tradicional carroceria de SUV em favor de uma proposta de grand tourer. A produção está programada para começar no primeiro semestre de 2027, na fábrica de Halewood, no Reino Unido.

Assista ao vídeo abaixo, originalmente postado no perfil @nuerburgring_impressionen:

Um Range Rover mais próximo de um carro de passeio

O vídeo ajuda a dimensionar uma das principais mudanças promovidas pelo GT. Atualmente, a linha Range Rover é formada pelos modelos Range Rover, Range Rover Sport, Velar e Evoque, todos com carrocerias de SUV. O novo integrante mantém alguns elementos de proporção e identidade da família, mas tem uma carroceria significativamente mais baixa e próxima à de um automóvel de passeio.

O GT ficará abaixo do Velar em posicionamento, embora seja maior em comprimento. O Velar tem cerca de 4,80 metros, enquanto informações divulgadas sobre o novo modelo indicam proporções próximas às do Range Rover Sport. A diferença não está apenas no tamanho: a novidade tem teto mais baixo, maior inclinação do vidro traseiro e uma silhueta que se aproxima de um cupê de quatro portas.

A estratégia é importante porque amplia o alcance da marca para além dos SUVs tradicionais. Em vez de oferecer apenas uma alternativa mais luxuosa ou esportiva dentro de uma carroceria utilitária, a Range Rover passa a disputar espaço com modelos de perfil mais baixo, como os grand tourers elétricos de marcas de luxo.

O próprio nome GT resume a proposta: o veículo foi desenvolvido para percorrer longas distâncias com conforto, mas mantendo uma condução mais próxima à de um carro de passeio. A fabricante afirma que o modelo será o Range Rover com comportamento mais próximo ao de um automóvel convencional já produzido.

Primeiro Range Rover baseado na plataforma EMA

Além da mudança de carroceria, o GT inaugura a arquitetura EMA (Electrified Modular Architecture) dentro da família Range Rover. A plataforma foi desenvolvida pela JLR para uma nova geração de veículos e também será utilizada por outros modelos do grupo.

O Range Rover GT chegará inicialmente exclusivamente com propulsão elétrica. A plataforma, entretanto, foi projetada para receber outros tipos de motorização e a marca já confirmou que uma versão híbrida convencional, ou HEV, poderá ser adicionada posteriormente ao ciclo de vida do modelo.

A estratégia representa uma diferença em relação ao Range Rover convencional. O primeiro Range Rover totalmente elétrico da marca utiliza a arquitetura MLA, enquanto o GT será o primeiro modelo da família desenvolvido sobre a EMA. O Range Rover elétrico maior também terá uma proposta mais próxima do SUV tradicional, enquanto o GT privilegia desempenho em estrada e eficiência aerodinâmica.

Autonomia pode chegar a 800 km

A Range Rover ainda não divulgou a ficha técnica definitiva do GT, portanto números de potência, capacidade da bateria e autonomia não devem ser tratados como oficiais.

Informações obtidas durante os testes, no entanto, indicam a possibilidade de uma bateria próxima de 100 kWh. A publicação Electrek estima que a combinação entre esse pacote e a carroceria fastback poderia resultar em autonomia próxima de 800 km, embora esse número ainda dependa de homologação e não tenha sido confirmado pela fabricante.

Outro indício veio do próprio painel de um protótipo mostrado anteriormente. O quadro de instrumentos indicava 463 km de autonomia restante com 80% de carga, embora esse dado não seja suficiente para determinar a autonomia oficial do veículo em condições de homologação.

A possibilidade de alcançar uma autonomia elevada é particularmente relevante para o posicionamento do GT. Como um grand tourer, o modelo terá de conciliar desempenho com capacidade para viagens longas. Nesse contexto, a carroceria mais baixa e aerodinâmica pode ajudar a reduzir o consumo em velocidades de estrada, embora o peso de uma bateria de grande capacidade também seja um fator importante.

A Range Rover ainda deverá divulgar potência, torque, capacidade exata da bateria, autonomia homologada e capacidade de recarga nos próximos meses.

Interior segue proposta mais minimalista

As primeiras imagens da cabine mostram uma mudança tão grande quanto a observada no exterior. O painel utiliza uma tela central de grandes dimensões acompanhada por um pequeno quadro de instrumentos para o motorista, em vez do conjunto tradicional de instrumentos.

Há ainda uma saída de ar que percorre horizontalmente o painel e fica praticamente escondida, enquanto tecidos aplicados ao acabamento também servem para ocultar os alto-falantes. A configuração apresentada nas imagens tem dois bancos traseiros individuais, separados por um console central, mas também está prevista uma configuração com banco traseiro para três passageiros.

O espaço para as pernas dos ocupantes traseiros é outro destaque da proposta. Isso reforça a intenção de posicionar o GT como um veículo para viagens longas, e não simplesmente como um SUV esportivo com menor altura.

Produção começa em 2027

A produção do Range Rover GT está prevista para começar no primeiro semestre de 2027, em Halewood, no Reino Unido. A fábrica também produzirá outros veículos da JLR, e a plataforma EMA permitirá que diferentes tipos de motorização sejam utilizados na unidade.

O preço definitivo ainda não foi anunciado. A expectativa é que o GT fique acima de £ 75 mil no Reino Unido, o equivalente a mais de US$ 100 mil, antes de impostos e outros custos.

Isso coloca o novo Range Rover em uma faixa bastante elevada do mercado de elétricos, competindo mais diretamente com veículos de luxo de marcas como Porsche, Mercedes-Benz e outras fabricantes premium do que com SUVs elétricos de maior volume.

Range Rover GT será vendido no Brasil?

Até o momento, a JLR não confirmou o lançamento do Range Rover GT no Brasil. A fabricante brasileira mantém atualmente modelos da família Range Rover em seu catálogo, incluindo Range Rover, Range Rover Sport e Range Rover Velar, mas o GT ainda não aparece entre os veículos disponíveis no mercado nacional.

Isso não significa que o modelo esteja descartado para o país. A presença consolidada da marca no mercado brasileiro e o posicionamento de luxo da linha Range Rover tornam uma futura importação possível, especialmente considerando que o GT será produzido no Reino Unido.

O principal fator de limitação deve ser o preço. Considerando o valor projetado para o mercado britânico e a carga tributária brasileira sobre veículos importados, o GT provavelmente chegaria ao país acima da faixa de R$ 1 milhão, caso seja comercializado oficialmente. Trata-se, portanto, de um produto de baixo volume, destinado a um público bastante restrito.

A chegada do modelo também dependerá da estratégia de eletrificação da JLR no Brasil. A empresa ainda comercializa no país principalmente versões híbridas plug-in da família Range Rover, enquanto o GT estreia globalmente como um veículo 100% elétrico.

Via Electrek