
A Tesla cancelou os planos de produzir o Cybertruck para a Austrália e a Nova Zelândia, informando aos detentores de reservas — que esperavam há quase sete anos — que suas reservas serão canceladas. A empresa não divulgou oficialmente o motivo da decisão, mas a medida evidencia uma limitação importante: a picape continua sendo produzida apenas com volante à esquerda, enquanto esses mercados exigem veículos com volante à direita.
Na foto abaixo, você pode ver quais são os países com volante à direita no mundo. Além dos países da Oceania já citados no início deste artigo, o Reino Unido (conhecido pela mão inglesa), o Japão e a Índia, para ficar somente nestes exemplos, não poderão ter um Cybetruck por falta de uma versào local (

O caso evidencia um problema de escala para a Tesla e uma incerteza em relação ao próprio produto. Adaptar um veículo com carroceria e arquitetura incomuns para mercados menores pode exigir investimentos que não se justificam diante da demanda esperada. Ao contrário de modelos globais como o Model Y, o Cybertruck tem um desenho pouco convencional e foi desenvolvido prioritariamente para o mercado norte-americano.
Vendas abaixo das expectativas
O cancelamento também ocorre em um momento de dificuldades comerciais para a picape. A caminhonete começou o ano registrando a pior queda de venda de todos os veículos elétricos nos EUA. As coisas, porém, foram melhorando durante o ano, mas não o suficiente para deixar a direção da empresa tranquila.
Segundo estimativas da Cox Automotive, a Tesla vendeu 4.323 unidades do Cybertruck nos Estados Unidos no terceiro trimestre de 2026. Apesar de continuar à frente das concorrentes elétricas diretas, o resultado fica distante do Model Y, que vendeu quase 100 mil unidades no mesmo período.
A empresa chegou a acumular mais de um milhão de reservas, mas os números iniciais não se converteram no volume de vendas esperado. O preço também mudou desde a apresentação: a promessa inicial era de uma versão de entrada por US$ 39.900 (cerca de R$ 215 mil, em conversão direta aproximada), mas o modelo lançado em produção chegou ao mercado com preços mais altos e autonomia inferior à anunciada originalmente.
Enquanto isso, a Tesla direciona esforços para o Cybercab, veículo autônomo, e para o robô humanoide Optimus. Elon Musk também mencionou a possibilidade de converter a linha de produção do Cybertruck em Fremont para fabricar veículos autônomos destinados a entregas urbanas. Isso não significa, contudo, que a fabricante tenha anunciado o fim da picape.
No Brasil, como dirigimos com o volante à esquerda, a Tesla não teria o mesmo problema de Austrália e Nova Zelândia, mas o fato é que o Cybertruck não tem previsão de ser lançado por aqui. A decisão mostra que a picape elétrica que despertou enorme interesse antes do lançamento por causa do seu design peculiar pode ser exótica demais para a expansão internacional.
Sem garantias de sucesso, a empresa de Elon Musk deverá manter a produção do Cybertruck onde e como sabe que pode vender bem, adotando uma visão conservadora dos negócios. Paradoxalmente neste caso, com direção à esquerda.
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