Homem colocando um estojo de guitarra na traseira de um Cybercab dourado da Tesla estacionado na rua.
Cybercab | Tesla /| Divulgação

Uma das promessas de Elon Musk se tornou realidade. A Tesla iniciou oficialmente as operações do Cybercab, seu robotáxi dedicado, sem volante, pedais ou assento para motorista, em Austin, no Texas, nos Estados Unidos, onde fica a sede da Tesla. Uma frota inicial de 45 unidades produzidas na Giga Texas já está disponível para reserva pelo aplicativo Robotaxi da marca, disponível nas lojas virtuais de Android e Apple.

O lançamento aconteceu em um evento fechado e pouco convencional para a Tesla: sem transmissão ao vivo, sem imprensa e, segundo relatos, por incrível que pareça, sem a presença de Musk. Clientes e alguns influenciadores foram convidados a conhecer o carro e realizar os primeiros testes. O Cybercab havia sido apresentado originalmente em outubro de 2024, mas passou por mudanças até chegar à produção em série, iniciada em abril deste ano.

O veículo elétrico de dois lugares mantém as portas de abertura vertical e a cabine compacta, com uma divisória atrás dos bancos. A principal novidade revelada agora, porém, está longe da tela de 22 polegadas ou da conectividade Starlink V5: o Cybercab não utiliza fluido de freio nem linhas hidráulicas convencionais. Cada roda possui um atuador elétrico diretamente na pinça, em um sistema de freio por fios (brake-by-wire).

A mudança faz sentido dentro do projeto do carro. Sem pedais e volante, a Tesla abandonou também os comandos mecânicos e hidráulicos tradicionais. O sistema permite controlar individualmente cada freio por meio de atuadores elétricos e elimina a necessidade de distribuir tubulações pelo veículo. Segundo informações divulgadas durante o lançamento, as pastilhas também podem se afastar completamente dos discos quando não estão sendo utilizadas, reduzindo arrasto e desgaste.

Sem pedais e volantes, mas 100% independente?

Apesar da proposta de condução autônoma, ainda é cedo para dizer que o Cybercab opera de forma totalmente independente. A Tesla mantém um centro de comando para intervenções remotas em situações nas quais o sistema tenha dificuldades. A empresa já oferece corridas autônomas em Austin, Dallas, Houston, Miami, Orlando e Tampa, mas até agora utilizava Model Y adaptados.

Nos Estados Unidos, a disputa da Tesla é com o Zoox Robotaxi, da Amazon, já autorizado para operar comercialmente. Já, no Brasil, o Cybercab não deve chegar tão cedo. Além da ausência da Tesla no mercado brasileiro, um serviço desse tipo dependeria de muitas coisas que ainda não temos, como regulamentação específica, infraestrutura adequada e testes locais de condução autônoma. 

Por enquanto, o que acontece em Austin funciona mais como um laboratório para entender se um carro projetado desde o início sem comandos para um motorista consegue transformar a promessa dos robotáxis em um serviço do nosso dia a dia. Caso não haja acidentes graves, a Tesla pretende aumentar a frota do Cybercab em breve.

A grande promessa da Tesla

O Cybercab, com IA e robôs humanoides, é a promessa mais importante da Tesla para seus investidores – a que levou a Musk receber a promessa de um pacote de bônus de US$ 1 trilhão.

Elon Musk e outras figuras da empresa já disseram várias vezes que ela não é mais uma montadora de carros, mas uma empresa de tecnologia. Em janeiro, quando a empresa aposentou os modelos Y e S, apresentando uma queda de lucro anual, essa promessa foi reafirmada, com o CEO afirmando que o robô Optimus será o “maior produto de todos os tempos”.

O robotáxi chega uma década após o Google iniciar suas operações com o Waymo. E, em seus carros regulares, a Tesla nunca conseguiu certificar seus modelos de condução autônoma para além do nível 2, com o Autopilot e o Full Self Driving exigindo que uma pessoa esteja com as mãos ao volante, como qualquer outro assistente.

Mas os investidores acreditam que, como a empresa controla a cadeia completa, desde a produção e o design do carro, e não apenas o software e parte dos equipamentos, como o Google e outros concorrentes, que usam carros adaptados de outros fornecedores, ela pode superá-los e se tornar o novo padrão no transporte individual.

Via Electrive/Tesla