Grande frota de ônibus elétricos urbanos na cor verde enfileirados em um pátio aberto durante evento de entrega oficial
Nova frota de 500 ônibus elétricos entregue pela Prefeitura de São Paulo em junho de 2026 | Foto: ABVE

O mercado brasileiro de ônibus elétricos entrou definitivamente em uma nova fase de maturação em 2026. Entre janeiro e maio deste ano, foram emplacadas 311 unidades no país, representando uma alta de 14,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando haviam sido registrados 272 veículos. No entanto, o avanço mais expressivo foi consolidado no mês de maio: foram 132 novos emplacamentos, um verdadeiro salto de 450% na comparação direta com as meras 24 unidades registradas no mesmo mês do ano anterior.

Estes resultados indicam que o segmento começa a deixar para trás a fase restrita de projetos-piloto e testes isolados. O cenário atual combina escala operacional real, expansão do financiamento público, fortalecimento da produção nacional e a entrada progressiva desses veículos na rotina das grandes metrópoles.

Os números dos cinco primeiros meses do ano superam com folga marcas recentes da eletromobilidade no país. O acumulado até maio, de 311 veículos, já corresponde a 36,8% de todo o volume registrado no ano cheio de 2025, com 844 ônibus, e supera em 3% as vendas totais de todo o ano de 2024, que regsitrou 302 unidades. Vale ressaltar que estes indicadores ainda são conservadores, pois não computam o lote massivo de 500 ônibus elétricos entregues pela Prefeitura de São Paulo no último domingo, dia 21 de junho.

Soberania e fortalecimento da produção nacional

A oferta de tecnologia limpa está mais robusta e diversificada para atender aos gestores municipais. No período analisado, oito fabricantes apresentaram 20 modelos de ônibus elétricos ao mercado brasileiro, expandindo o leque de opções para diferentes topografias e demandas de capacidade. Desse ecossistema, seis montadoras mantêm linhas de produção ativas em território nacional, enquanto apenas duas operam exclusivamente com modelos importados.

A indústria local demonstra soberania absoluta: dos 311 ônibus elétricos emplacados no período, 308 foram fabricados no Brasil, o equivalente a 99% do total. Apenas três unidades vieram do exterior. O dado atesta a rápida resposta de capacidade produtiva de indústrias instaladas no país, como Eletra, BYD, Mercedes-Benz e Marcopolo.

No ecossistema corporativo, a liderança do mercado ficou distribuída da seguinte forma:

  • Eletra: Liderou os emplacamentos com 148 unidades (48% de market share).
  • BYD: Segunda colocação com 95 ônibus (31% do mercado).
  • Mercedes-Benz: Ocupa a terceira posição com 47 unidades (15,2% do total).

A centralização em São Paulo

Na divisão geográfica, a região Sudeste mantém uma liderança isolada, concentrando 95,2% (296) dos emplacamentos totais realizados até maio de 2026. Desse volume, 293 registros ocorreram especificamente no estado de São Paulo, o equivalente a aproximadamente 99% da força regional. A região Centro-Oeste aparece na segunda posição nacional, puxada exclusivamente por Goiânia (GO), que registrou 15 ônibus elétricos emplacados (4,8% do total nacional).

Ao todo, os emplacamentos do primeiro semestre distribuíram-se por sete municípios brasileiros, evidenciando ainda uma forte centralização na capital paulista, que abocanhou 86,5% do mercado nacional.

Ranking de emplacamentos por município (jan-mai/2026)

  1. São Paulo (SP): 269 unidades (86,5%)
  2. Goiânia (GO): 15 unidades (4,8%)
  3. Osasco (SP): 12 unidades (3,9%)
  4. São Bernardo do Campo (SP): 11 unidades (3,6%)
  5. Confins (MG): 2 unidades (0,6%)
  6. Rio de Janeiro (RJ): 1 unidade (0,3%)
  7. Santos (SP): 1 unidade (0,3%)
  • TOTAL BRASIL: 311 unidades (100%)

É importante ressaltar que os números apresentados estão relacionados estritamente aos emplacamentos oficiais registrados nesses municípios no período histórico citado, o que não significa, necessariamente, que essa quantidade corresponda à totalidade exata de ônibus elétricos em circulação nas vias locais.

Incentivos governamentais

A guinada rumo à descarbonização do transporte coletivo é sustentada por uma engrenagem de fomento estatal e linhas de crédito expressivas. O Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) já prevê recursos direcionados para a aquisição de 2.296 ônibus elétricos para os municípios. Paralelamente, o BNDES já aprovou um montante de R$ 4,5 bilhões em crédito voltado a projetos de eletrificação do transporte público, viabilizando o suporte para a compra de cerca de 2 mil ônibus no país.

Outro pilar de sustentação recente é a ampliação do programa Move Brasil, que passou a incluir ônibus e micro-ônibus em uma linha de financiamento robusta de R$ 21,2 bilhões, associando o crédito a critérios rígidos de sustentabilidade e índice de nacionalização dos componentes de fabricação nacional.

Esses números revelam que a transição energética do transporte público brasileiro superou a barreira das promessas ecológicas e conquistou viabilidade industrial e comercial. A sólida combinação entre metas de descarbonização urbana, apetite das prefeituras e robustez fabril interna dita o ritmo da transformação rumo a cidades mais limpas e silenciosas.

Via: ABVE