
Com 59 emplacamentos, correspondendo a 44,7% do mercado nacional, a BYD fechou maio de 2026 como a maior fornecedora de ônibus elétricos do país.
Como os números citados pela própria BYD mostram, é um segmento minúsculo dentro de um segmento que já é nicho. Em maio, foram emplacados 2.074 ônibus no Brasil, dos quais 132 eram elétricos. Isso é 6% do mercado, menos que os 9,74% do setor automotivo, mas bem mais que comerciais leves ou caminhões pesados, onde a presença de elétricos ainda é um traço estatístico.
O setor também tem um crescimento anual bem mais modesto que os carros elétricos, que quase triplicaram de 2025 para 2026. Entre janeiro e maio de 2026, foram emplacados 311 ônibus elétricos no país, crescimento de 12,3% no ano a ano. Enquanto isso, os automóveis elétricos marcaram 272% de crescimento em abril.
“Capitaneada pela cidade de São Paulo, que proibiu a compra de novos ônibus a diesel e vem acelerando a transição para modelos a bateria em suas linhas urbanas, a eletrificação das frotas públicas está ganhando fôlego no país. A capital paulista, de acordo com dados trazidos pela BYD, abriga a maior frota de ônibus elétricos do país, concentrando cerca de 80% do volume nacional, o que representa algo em torno de 1,3 mil unidades.
O argumento para a eletrificação é ambiental, com menor poluição sonora e do ar, mas também a mesma economia que acontece com carros, em combustível e manutenção.
“Os números de maio mostram que a eletrificação do transporte coletivo está entrando em uma nova fase“, afirma Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e Solar da BYD Brasil. “Durante muitos anos, o debate esteve concentrado na viabilidade da tecnologia. Hoje, a discussão passa por escala, infraestrutura e velocidade de implementação. Quando observamos o avanço dos emplacamentos e a ampliação das frotas em operação, percebemos que a eletromobilidade já faz parte do planejamento das cidades e deixou de ser uma aposta para se tornar uma agenda concreta de transformação urbana.”
Muito antes dos carros
A BYD já fabricava ônibus elétricos, em sua planta em Campinas (SP). muito antes de começar a fazer carros, começando em um já remoto 2015.
Diferente do que acontece com os carros, dos quais fabricantes tradicionais só vendem importados e no mercado de luxo, a chinesa não atua sem concorrência no mercado de ônibus. Ainda que o segmento de ônibus elétricos seja uma fração daquele dos carros, tanto em números absolutos quanto proporcionalmente, é um setor em que há um legítimo fabricante nacional de veículos elétricos: a Eletra, que também fica no estado de São Paulo, no polo automotivo de São Bernardo do Campo.
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