
São Francisco, Los Angeles e Phoenix, três cidades dos Estados Unidos, devem receber em breve as primeiras unidades do Ojai, a nova geração de robotáxis da Waymo. A entrega faz parte de um programa inicial gratuito, antes do início das corridas pagas. A ideia é expandir o serviço gradualmente para novas cidades, incluindo Denver, Las Vegas e San Diego, ainda este ano.
Para se diferenciar da concorrência cada vez mais acirrada no segmento de veículos autônomos por aplicativo nos EUA, a Waymo aposta em uma estratégia bem definida. Afinal, a empresa disputa espaço com players como Zoox, Tesla e Uber. Ainda assim, a expansão da Waymo tem sido a mais bem-sucedida até agora, com seus veículos autônomos operando em 11 cidades americanas e realizando mais de meio milhão de corridas pagas por semana.
Apesar de o serviço da Waymo ter sido suspenso recentemente em seis cidades após os robotáxis apresentarem dificuldades para circular em ruas alagadas, a empresa planeja expandir suas operações para mais 20 cidades em breve, inclusive em regiões que recebem neve regularmente.

Tecnologia dedicada a robotáxis
Desenvolvido pela Zeekr, o Ojai é uma versão modificada de um veículo elétrico criado pela marca premium de EVs pertencente ao grupo chinês Geely. O novo modelo promete oferecer mais conforto e tecnologia aos passageiros. Entre os destaques estão o degrau mais baixo, o piso plano e as portas deslizantes no estilo elevador, que facilitam o embarque e desembarque.
O Ojai estreará a sexta geração da tecnologia de direção autônoma da Waymo, baseada em um sistema de inteligência artificial que utiliza menos sensores, mas oferece maior precisão. O conjunto inclui 13 câmeras e seis radares, projetados para lidar melhor com condições climáticas severas, incluindo neve, além de quatro sensores lidar — tecnologia a laser que funciona como os “olhos” do veículo, emitindo pulsos de luz infravermelha para medir distâncias e criar um mapa 3D de alta precisão do ambiente ao redor.
No interior, a cabine busca maximizar o espaço e janelas, para melhor visibilidade externa. São três telas: uma na parte dianteira e duas na traseira, permitindo aos passageiros personalizar funções como temperatura e sistema de áudio.
Os veículos também terão recursos de acessibilidade, incluindo inscrições em braille e compatibilidade com leitores de tela integrados às alças dos assentos.
Os usuários ainda contarão com uma tela sensível ao toque para controlar o ar-condicionado, escolher músicas durante a viagem e entrar em contato rapidamente com o suporte ao cliente. A configuração dos assentos é 2+3, semelhante à de carros convencionais. No entanto, o banco do motorista não pode ser utilizado por passageiros, o que limita a capacidade a quatro ocupantes.
O Ojai também passará a utilizar novas câmeras de 17 megapixels que, segundo a Waymo, estão uma geração à frente das atuais câmeras automotivas, oferecendo melhor resolução, maior alcance dinâmico e mais sensibilidade em ambientes com pouca iluminação.
Obstáculos aos chineses
Para driblar os bloqueios impostos pelos Estados Unidos aos veículos elétricos fabricados na China, como tarifas elevadas e restrições relacionadas a softwares e hardwares, a Waymo encontrou uma solução para permitir que o Ojai opere dentro das exigências do mercado americano.
A Zeekr é responsável pela fabricação da estrutura física do veículo, incluindo plataforma, carroceria, bateria e motores, em sua fábrica de Ningbo, na China. No entanto, de forma estratégica, a Waymo afirma que os veículos são produzidos sem sistemas de telemetria ou conectividade de origem chinesa que possam infringir as restrições americanas.
Em documentos regulatórios, a Waymo define esses modelos como “veículos-base” não conectados. A Zeekr então envia os veículos sem eletrônica para a unidade da Waymo em Mesa, no Arizona, onde engenheiros da empresa instalam os sensores proprietários, as plataformas de computação e os sistemas de conectividade desenvolvidos pela própria Waymo.
A solução permite aproveitar a eficiência e a tecnologia da indústria chinesa de veículos elétricos sem desrespeitar as regulamentações dos Estados Unidos, beneficiando ambos os lados.
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