Células da bateria BYD Blade
Células da BYD Blade, da geração atual | BYD / Divulgação

A BYD anunciou que irá expandir a sua fabricação de baterias no Brasil para começar a produzir sistemas de armazenamento por bateria (BESS) para a geração elétrica. Será um investimento de R$ 500 milhões. Em paralelo, a marca também afirma que irá produzir baterias automotivas em sua fábrica em Camaçari (BA).

Atualmente, já existe produção de baterias da BYD no Brasil, numa planta na Zona Industrial de Manaus. Até hoje, essa produção estava restrita a baterias para ônibus. A empresa afirma que não sabe ainda se irá ampliar essa fábrica ou criar uma nova.

Nacionalização dos carros

A ideia é já começar em 2027 com 50% de conteúdo nacional nos carros, atendendo a demandas crescentes por maior nacionalização. O governo brasileiro joga contra a importação chinesa, com os impostos de importação subindo a 35% a partir de julho – o que se aplica não só a carros inteiros, mas os kits de peças que a BYD importa da China para montar no Brasil.

A movimentação entra na já prometida estratégia da BYD de nacionalizar o máximo possível, com a mesma meta de 50% apresentada no início do ano. Espera-se, ao menos até agora, que as baterias, o componente mais industrialmente complexo dos carros, não seja nacionalizada no começo, mas a ampliação da produção nacional indica que pode vir antes do esperado.

“A BYD nasceu como uma empresa de tecnologia de baterias e o Brasil não é apenas um mercado consumidor, mas um parceiro de inovação e liderança. Ao adicionarmos as baterias estacionárias ao nosso ecossistema local, que já conta com carros, ônibus
elétricos, painéis solares e projetos de mobilidade urbana, estamos oferecendo ao país uma matriz integrada e inteligente de soluções”, afirma Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil.

Procurada pelo evdrops a BYD diz que os investimentos de R$ 500 milhões são apenas para a produção de sistemas BESS, mas que a expansão contínua da fábrica em Camaçari chegará às baterias. A marca já afirmou que pretende criar 600 mil carros por ano nessa planta, tornando-a a maior do Brasil.

Baterias da BYD made in Brasil

Pela BYD ou suas concorrentes, mesmo as nacionais, a montagem de baterias do Brasil hoje não é do zero: ela importa células prontas. Isso acontece porque o processo de produzir em escala comercialmente viável as células de íon de lítio, a grosso modo, só é dominado realmente pela China, ou fabricantes ocidentais não estariam lutando tanto para manter seu mercado.

A BYD, porém, possui direitos de mineração em terras com lítio no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Se esse lítio ficar no Brasil, e não for para a China para retornar como células prontas, seria realmente uma posição privilegiada. E faria sentido dentro do que é o maior “segredo” para os preços chineses: a integração vertical, quando uma empresa concentra o máximo possível de custos internamente. Ser proprietária até mesmo das minas de lítio faz todo sentido nessa filosofia.

Há um mercado importante para o que a BYD pretende fazer: os sistemas BESS são necessários para geração energética renovável, como solar ou eólica, cuja produção varia ao longo do dia. Esse é o famoso “estocar vento” a que a ex-presidente Dilma Rousseff se referiu, e então causou risos. Como o Brasil não investiu o suficiente em armazenamento e transmissão, temos uma situação atual de superprodução de eletricidade renovável.