
O carro (carro no geral, não só carro elétrico) mais barato do Brasil acaba de ter sua entrega suspensa e seu futuro está no ar. A E-Motors Brasil, responsável pelo Emova Easy – conhecido em sua China natal como JMEV EV2 –, anunciou a devolução do dinheiro das reservas para quem desejar, e duz que não tem mais previsão de quando seus carros chegarão ao país.
Cotado para sair por R$ 69.990, o Emova Easy seria o carro mais barato do Brasil. O preço de tabela do modelo mais barato de montadoras estabelecidas, o Citroën C3 Live Go 1.0, é R$ 76.990 – às vezes ele pode ser comprado por menos de R$ 70 mil em promoções limitadas, como para taxistas, mas o Emova Easy seria o carro com o preço listado mais barato.
Na época do lançamento, a notícia circulou por múltiplos veículos de imprensa, inclusive pelo evdrops, que contou um pouco mais da história da empresa que se propôs a vender esses veículos, e como tudo começou por um acidente feliz. Isso levou a uma explosão de interesse pelos carros, segundo a E-Motors, com centenas de ligações por dia.
Vítima (indireta) da alíquota
Segundo a E-Motors, o problema que levou ao cancelamento foi o aumento da alíquota de importação dos elétricos chineses de 25% para 35%, que começou exatamente no dia 1 deste mês. Mas não de forma direta, já que o valor do imposto já estava nas contas originais.
Eduardo Carvalho, diretor comercial da E-Motors, explica a situação: “As grandes montadoras da China ‘floodaram’ todos os navios que tinham para vir e isso acabou inflacionando o preço do frete. A gente já estava até prevendo o aumento do imposto, mas esse aumento do frete… aí não.”
Mercídio Givisiez, CEO da E-Motors, detalha: “A gente não estava conseguindo vaga em ro-ro [navios especializados em carros]. Tentamos os contêineres, e fechamos por 1.800 dólares cada – cabem 4 carros num contêiner de 40 pés. Chegando lá, eles queriam 10.200 dólares e só para setembro”.
US$ 1.800 são cerca de R$ 9 mil, enquanto US$ 10.200 são R$ 52 mil. O frete sairia mais de R$ 10 mil para cada carro, mais os 35% de impostos, que são cobrados também sobre o frete. Essa é a parte em que o aumento do imposto pesou diretamente.
Para provar que o negócio segue vivo, Mercídio compartilhou um vídeo com várias dezenas (talvez mais de cem) de exemplares num pátio na China, esperando o transporte.
Pessoas seguem na fila de espera
Segundo Mercídio, todos os importadores da China estão passando pelo mesmo problema. Mas a operação não foi cancelada – a devolução da reserva é opcional e, segundo ele, mesmo quem receber o dinheiro de volta continua na fila. “A gente decidiu ser transparente. Não vou dar uma data específica se não tenho.”
“Vamos aguardar a situação se normalizar. Vamos trazer esses veículos e mais novidades que estamos preparando. A gente quer democratizar o carro elétrico no Brasil”
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