Antes do lançamento oficial, o interior do próximo ano-modelo do BYD Dolphin Mini (que lá é chamado Hǎi’ōu 海鸥, “gaivota”) vazou nas redes sociais chinesas. E, ainda que a informação consista em uma foto de baixa qualidade, dá para tirar várias informações interessantes dela.

Eis a foto:

É possível ver parte do console ainda embrulhado em plásticos. E a primeira coisa que salta à vista é como o console central em si é radicalmente diferente da versão atual. Este é o Dolphin Mini de hoje:

Interior do Dolphin Mini
Interior atual do Dolphin Mini | Fábio Marton / evdrops

Dá para ver como, seguindo uma tendência de design já adotada em outros modelos, o console central criou uma plataforma diagonal dividindo ainda mais os compartimentos de motorista e passageiro, no lugar do estilo mais horizontal de hoje, que termina em um painel vertical. Os botões físicos, agora inclinados, passaram para o console. No modelo atual, eles controlam marchas, modo de condução, pisca-alerta e a ventilação (mas não a temperatura do ar condicionado). Há menos botões no centro, mas dois botões novos nas laterais – quem sabe dê para controlar a temperatura do ar sem recorrer à tela agora?

Seguindo o novo padrão da BYD, a seleção de marcha foi para uma alavanca no volante – que parece ter deixado para trás o padrão de rabo de golfinho (ou baleia) da série Ocean, mais semelhante a modelos como o Song Pro, mas com botões arredondados.

A tela também é bem maior e quase certamente não gira mais – o recurso foi removido de outros modelos e, pela posição dela, acabaria batendo no console se girasse.

Há ainda detalhes em vermelho, numa possível nova opção para interior.

O mistério do “celular”

E um grande mistério: o que terá acontecido com o painel de instrumentos? Faz tempo que a gente aqui tem chamado a atenção para o deselegante “celular” atrás do volante que costumava equipar os modelos da BYD: uma tela retangular que simplesmente flutua sobre o painel. Na foto vazada, não dá para ver nada, mas não existe mais a ranhura para encaixar o “celular” que há na versão atual. Há um painel curvo, com um retângulo central que pode ser o contato para encaixar alguma coisa – talvez outro “celular”, talvez algo mais interessante.

O Song Pro 2027, que estreou no Brasil este mês, adotou um painel integrado e curvo, deixando para trás o estilo anterior, o que significa que o novo padrão não comporta mais o retângulo como painel de instrumentos.

O portal CarNewsChina aposta que os instrumentos foram para a central de mídia. É possível, mas também há uma possibilidade mais interessante: de que a BYD tenha, de fato, jogado informações para a central, mas que agora o carro tenha um head-up display, como no Yuan Plus AWD (que ainda mantém o “celular”). Olhar para a central de mídia no lugar de um painel de instrumentos à frente do volante, ainda que tecnicamente permitido, não parece uma boa ideia.

Versão mais apimentada

Comparativo do Dolphin Mini novo e antigo
Comparativo das duas versões do Dolphin Mini | Reprodução

Outras informações já haviam sido reveladas antes sobre o novo Mini, pelos registros no Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) da China.

Uma das coisas que têm feito o Dolphin Mini perder espaço para concorrentes como o Geely EX2, que o destronaram completamente na China, é sua falta de potência. Os registros revelaram um novo motor frontal de 95 kW (127 cv), no lugar dos atuais 55 kW (75 cv). Isso o coloca acima do EX2, que tem 116 cv – mas abaixo dos monstrinhos MG4 Urban (150 cv) e GAC Aion UT (206 cv), que são mais caros. A máxima também foi mudada de 130 para 150 km/h.

O Mini também será bem menos “mini”, crescendo de 3,78 x 1,715 x 1,54 m (comprimento, largura e altura) para 4,205 x 1,81 x 1,57 m. Isso deve significar mais porta-malas (outra coisa que está fazendo-o perder espaço para os concorrentes), e vem sem muito peso adicional. A versão mais pesada terá 1.255 kg, o que são apenas 16 kg a mais do que o Dolphin Mini GS atual.

Quanto às possibilidades de chegar ao Brasil? A BYD não disse nada, mas, considerando o crescimento rápido do EX2 e dos dois outros concorrentes, que nem estão sendo fabricados no Brasil ainda, é extremamente improvável que não atualizem sua linha aqui o mais rápido possível.

Via CarNewsChina