Incêndio carro
Incêndio | Florian Olivo / Unsplash

A partir de 1º de julho de 2026, a China dará um novo passo na regulamentação dos veículos elétricos. O país passará a exigir padrões mais rigorosos de segurança para baterias e sistemas elétricos dos chamados veículos de nova energia (NEVs), categoria que inclui modelos totalmente elétricos e híbridos plug-in.

As novas regras, definidas pelas normas nacionais GB18384—2025 e GB38031—2025, foram criadas para reduzir riscos de incêndios, aumentar a proteção dos ocupantes e melhorar a resposta em situações de emergência. A iniciativa acompanha o crescimento acelerado do mercado chinês, que já contabiliza quase 44 milhões de veículos eletrificados em circulação.

Desligamento físico passa a ser obrigatório

Uma das principais mudanças está relacionada ao sistema elétrico dos veículos. A nova regulamentação exige a instalação de um mecanismo físico de desligamento de emergência acionado com apenas um comando.

Na prática, o dispositivo permitirá interromper imediatamente o circuito de alta tensão da bateria, sem depender exclusivamente de softwares ou sistemas eletrônicos. O objetivo é facilitar o trabalho das equipes de resgate e aumentar a segurança em casos de colisões, incêndios ou falhas técnicas.

Baterias terão de resistir a incêndios e explosões

As exigências para as baterias também ficaram mais severas. Até então, os fabricantes precisavam garantir que o veículo emitisse alertas alguns minutos antes de um possível evento térmico que pudesse resultar em incêndio ou explosão.

Com as novas regras, a meta passa a ser mais ambiciosa: a bateria não poderá pegar fogo nem explodir durante os testes de segurança. Além disso, eventuais emissões de fumaça não poderão representar riscos aos ocupantes do veículo.

Outra novidade é a criação de um teste específico para avaliar a resistência da bateria a impactos na parte inferior do automóvel, situação comum em colisões ou ao passar sobre obstáculos.

Durabilidade também entra na avaliação

As normas também aumentam o foco na vida útil dos sistemas de armazenamento de energia. Um dos novos testes exige que a bateria suporte 300 ciclos de carregamento rápido e continue operando com segurança, sem risco de incêndio ou explosão, mesmo após ser submetida a ensaios de curto-circuito externo.

A medida busca garantir que a segurança seja mantida ao longo dos anos de uso do veículo, e não apenas quando ele é novo.

Impactos para a indústria

Especialistas chineses avaliam que a nova regulamentação poderá acelerar a consolidação do setor. Fabricantes com maior capacidade tecnológica tendem a se adaptar mais rapidamente às exigências, enquanto empresas que competem apenas por preço poderão enfrentar dificuldades.

Além disso, a padronização dos critérios de segurança deve favorecer o mercado de veículos usados e reduzir preocupações de seguradoras em relação aos carros elétricos, tema que ainda gera debates em diversos países.

CATL e BYD, as duas maiores fabricantes chinesas de baterias já anunciaram adequação aos novos requisitos. A CATL informou que suas linhas de baterias para veículos de passeio e comerciais já passaram pelos testes previstos na nova regulamentação. A BYD, por sua vez, declarou que a segunda geração da bateria Blade atende aos padrões exigidos e apresenta desempenho superior ao mínimo estabelecido.

Custos podem subir

Embora a indústria reconheça os ganhos em segurança, analistas apontam que as novas exigências poderão aumentar os custos de desenvolvimento e produção das baterias. Isso pode refletir nos preços de futuros modelos elétricos lançados no mercado chinês.

Ainda assim, o impacto final dependerá da estratégia de cada fabricante para absorver custos e manter a competitividade em um dos maiores mercados automotivos do mundo.

Via: Economic Information