Volante da Toyota
Volante da Toyota | Unsplash

Em um momento em que diversas montadoras estão desacelerando seus planos de eletrificação, a Toyota decidiu seguir na direção oposta. A fabricante japonesa confirmou que continuará ampliando sua linha de veículos elétricos a bateria (BEVs) e híbridos, mesmo diante da redução dos incentivos governamentais aos elétricos nos Estados Unidos e do movimento de concorrentes que voltaram a investir em modelos equipados com motores a combustão.

A estratégia foi detalhada por executivos da empresa durante a divulgação dos resultados financeiros mais recentes. Embora a Toyota tenha anunciado medidas para reduzir custos em parte de sua operação, a eletrificação continuará sendo uma das prioridades da companhia. Para equilibrar as contas, a montadora pretende diminuir investimentos e atualizações em algumas linhas de veículos, preservando os recursos destinados ao desenvolvimento de modelos elétricos e híbridos. A Toyota deve cortar investimentos em diversas frentes, mas manterá o cronograma de lançamentos sua linha eletrificada.

A fabricante japonesa já confirmou uma série de lançamentos de veículos elétricos para os próximos meses. Entre eles estão novas versões do bZ, além de modelos desenvolvidos em parceria com outras marcas do grupo e novos SUVs elétricos voltados para mercados como Estados Unidos, Europa e China.

Movimento contrasta com o de outras montadoras

A informação é relevante porque a Toyota é ainda é a maior fabricante do mundo, com 11,1 milhão de veículos produzidos no ano passado – com a segunda posição ficando com o Grupo Volkswagen, com 9 milhões. A Toyota também é uma das empresas com maior interesse nos Estados Unidos, país caminhando na direção oposta ao resto do mundo em eletrificação, com 22% de suas vendas no país.

Entre as montadoras tradicionais, a decisão da Toyota configura um 180 dentro de um 180. Montadoras como Ford, GM, Porsche e até a Volvo anunciaram múltiplos retrocessos. Nesta semana, por exemplo, a General Motors confirmou que voltará a investir em modelos da Cadillac equipados com motores a combustão, após ter afirmado que a marca seria exclusivamente elétrica até 2030.

E a Toyota, em meio a isso, havia sido uma pioneira em híbridos convencionais (HEV), com o sucesso do Prius, é ainda considerada, por instituições como o ICCT – uma retardatária. Algo que pragueja, de acordo também com o ICCT, toda a indústria japonesa. Reconhecendo o problema, o CIO da Toyota, Koji Sato, propôs até mesmo reestruturar toda a cadeia produtiva do país, padronizando peças para baratear os veículos e poder competir com os chineses.

Não é uma decisão revolucionária: o caminho da Toyota, como de outras montadoras tradicionais, é tentar apostar em vários cavalos. Além dos BEVs, a empresa segue ampliando sua oferta de híbridos e veículos movidos a hidrogênio.

Atualmente, os híbridos ainda representam uma parcela significativa das vendas globais da empresa e são considerados uma importante fonte de receita para financiar o desenvolvimento dos futuros veículos elétricos. No mercado brasileiro, a Toyota ainda se mantém focada nessa motorização, com versões híbridas flex do Corolla e do Corolla Cross, produzidas no país. Mas a marca confirmou que pretende ampliar sua oferta de veículos eletrificados nos próximos anos

Via Automotive News