Foto de uma maçaneta
Maçaneta | Dan Dennis / Unsplash+

A China iniciou nesta sexta-feira (21) o maior recall automotivo de sua história, envolvendo mais de 4,27 milhões de veículos elétricos de 11 montadoras. A operação é provocada por uma irregularidade ligada às maçanetas e alavancas mecânicas de emergência das portas e inclui algumas das principais fabricantes de elétricos do país, como Tesla, Xiaomi, Leapmotor, Xpeng, Zeekr e Lynk & Co.

A Tesla responde sozinha por 2,98 milhões de unidades, entre Model 3, Model Y, Model S e Model X fabricados na China ou importados para o país. O número representa a maior campanha de recall já realizada pela montadora na China. Na sequência aparecem Xiaomi, com 390,4 mil veículos, Leapmotor, com 371,2 mil, e Xpeng, com 264,8 mil unidades. Zeekr, Chery, Dongfeng, BAIC e FAW também participam da campanha. A BYD não faz parte da campanha, por seu sistema de destravamento automático em caso de colisão.

Facilitação nas emergências

Após alguns graves acidentes com carros elétricos, nos quais os ocupantes do carro e transeuntes não conseguiram abrir as portas durante incêndios, levando a fatalidades, a China proibiu maçanetas ocultas em fevereiro deste ano. Os fabricantes tem até 2027 para se adaptar, mas agora a mudança, seguindo o mesmo espírito da nova norma, é mais simples.

A questão está nas maçanetas e alavancas mecânicas de emergência instaladas no interior dos veículos, não no exterior. Em determinados modelos, elas são consideradas difíceis de localizar ou operar. Essas maçanetas são importantes porque podem abrir as portas em caso de falha total do sistema elétrico, que normalmente controla as portas em carros mais modernos. Sem localizá-las, os ocupantes ou equipes de resgate podem não conseguir resolver a situação em tempo.

Para resolver o problema, nove das 11 montadoras instalarão gratuitamente etiquetas de advertência próximas aos mecanismos de emergência. A maioria também fará atualizações de software à distância (OTA). No caso da Tesla, por exemplo, a correção inclui uma atualização que pode baixar automaticamente os vidros após uma colisão, além das etiquetas para facilitar a localização das alavancas.

Um recall de alta tecnologia

Embora a campanha seja tratada como um recall automotivo, seu impacto está concentrado nos elétricos, segmento que popularizou as maçanetas embutidas ou ocultas – que foram proibidas na China no começo deste ano. A dimensão do problema também é maior do que a estimativa inicial de 3,8 milhões de veículos: os dados mais recentes apontam para mais de 4,27 milhões.

A campanha ocorre enquanto a China prepara uma mudança ainda maior. A partir de 2027, o país deverá proibir as maçanetas ocultas em veículos novos e exigir mecanismos de abertura mecânica, tanto por dentro quanto por fora. 

O recall é voltado ao mercado chinês e não significa automaticamente que os veículos vendidos no Brasil estejam envolvidos, já que nossas normas não são tão exigentes (por enquanto). Mas deve afetar novos modelos chegando no Brasil no futuro.

O recall da China não é o maior da história automotiva: esse foi o recall dos airbags da empresa japonesa Takata, em 2013, envolvendo mais de 100 milhões de veículos no mundo todo, incluindo o Brasil. A Takata já teve 20% do mercado mundial de airbags, e seus produtos podiam explodir sozinhos com o tempo, jogando fragmentos sobre os ocupantes. 30 pessoas morreram antes que o recall fosse convocado.

Via RHTK