
Para conseguir uma caminhonete elétrica a US$ 30 mil, a Ford está fazendo uso da tecnologia da maior fabricante mundial de baterias: a chinesa CATL. A empresa contratou 500 novos funcionários para sua fábrica no Blue Oval Battery Park em Michigan, e pretende chegar a 800 até o fim do ano, com uma meta final de 1.700 trabalhadores.
A tecnologia escolhida é a mesma dos carros chineses: a LFP (lítio-ferro-fosfato), que tem menor densidade energética que as baterias de níquel-mangânes-cobalto (NMC) que os fabricantes ocidentais costumavam adotar, mas é mais barata e mais segura. Era uma bateria NMC equipando a finada F-150 Lightning que, mesmo sendo a caminhonete elétrica mais vendida dos EUA, a Ford tirou de linha, alegando haver interesse o suficiente para o projeto ser lucrativo. Durante esses recuos, as linhas de fabricação de elétricos da Ford chegarm a ser reconvertidas para a produção de veículos a combustão.
Mas recuos no presente não significam que a empresa não acredita em eletrificação no futuro. A caminhonete será o primeiro veículo usando a nova Ford Universal Platform, que a empresa já comparou com o “Programa Apollo”. A nova plataforma é a grande aposta para o futuro da empresa, com a qual ela pretende ter 50% de eletrificados em 2030.
O valor com que a Ford pretende vender sua nova caminhonete média – possivelmente chamada Maverick EV – pode parecer meio alto para o Brasil, onde os chineses têm trânsito relativamente liberado, mas é um marco nos EUA: US$ 30 mil (~R$ 150 mil). O preço médio de um carro novo no país é US$ 49.900. A F-150 Lightning começava em US$ 54.780. O atual elétrico mais barato do país, o Chevrolet Bolt, sai por US$ 28.995.
A Ford e os chineses
No começo do ano, havia circulado um rumor de que a Ford estava cogitando parcerias chinesas. Então, o rumor é que a parceira seria a BYD. Agora vem a confirmação que a parceira é, na verdade, a sua maior rival em baterias.
Nos Estados Unidos, além do “tarifaço” de 100% em produtos chineses, há um banimento de produtos eletrônicos chineses que possam “espionar” os consumidores dos EUA. Isso chegou a atingir até a própria Ford, que vai precisar de uma aprovação especial para continuar vendendo o Lincoln Nautilus, feito na China.
O CEO da Ford, Jim Farley, tem uma relação “complicada” com os chineses. Ele já afirmou à Fox News que a China “tem capacidade de cobrir toda a manufatura e todas as vendas de veículos nos Estados Unidos”, seguido por “Não devemos deixá-los entrar em nosso país por causa do impacto econômico”. Depois falou que não era bem assim, dizendo ao Detroit Free Press: “Eu tenho muito respeito por esses competidores. Apenas que, em nosso mercado, devemos ser muito cuidadosos”.
O respeito parece real: ele já afirmou que teve uma “revelação chocante” ao testar um Xiaomi SU7 e ter a sensação que não queria mais largar o carro.
Agora parece claro que o plano é que os chineses, de fato, podem entrar: desde que acompanhados por um americano responsável.
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