
Numa reunião de acionistas ontem, o presidente da BYD Wang Chuanfu afirmou que a empresa irá se tornar o maior fabricante mundial de carros, em volume de produção, nos próximos cinco anos. A afirmação vai numa linha parecida com o plano para o Brasil, que é ser a maior em 2030.
Com 4,6 milhões de unidades produzidas em 2025, a BYD foi o sétimo maior fabricante mundial. Esse número considera a GM e a SAIC-GM-Wuling, que produz o Spark EUV, como a mesma empresa – sem isso, a BYD seria a sexta. O primeiro lugar é a Toyota, que produziu mais que o dobro que a BYD: 11,3 milhões de veículos.
Um momento delicado
Além de haver muitos degraus para subir, a BYD não está num grande momento – ao menos em números. A empresa amargou 8 meses de queda nos lucros entre agosto de 2025 e abril deste ano, e suas ações na bolsa de Hong Kong haviam caído 45% desde o pico no ano passado. Lutando em casa, na China, com sérios concorrentes como a Geely, a empresa acabou compensado com sua presença cada vez maior no exterior, incluindo o Brasil.
Wang também reconheceu que pode ser um ano complicado. A nova tecnologia de baterias, a Blade 2.0, que tem uma velocidade de carregamento com que nenhum fabricante ocidental pode concorrer (mas alguns chineses, sim), tornou a produção mais complicada no começo deste ano, enquanto são feitas adaptações.
Quais as chances da BYD?
Esse crescimento todo poderia soar loucura vindo de qualquer outra montadora. Mas a BYD tem números nos quais se sustentar. No último ano, suas vendas no exterior cresceram 65%, puxadas por países como o Brasil – seu segundo maior mercado – onde o crescimento foi de 130% entre maio de 2025 (9.401 unidades emplacadas) e maio de 2026 (21.704) (dados da ABVE). Em outros países que derrubaram barreiras para a marca, como o Reino Unido e a Austrália, o crescimento também tem sido vertiginoso.
Na União Europeia, o market share da empresa foi de 0,8% no primeiro quadrimestre do ano passado para 1,9% neste. A grande aposta no continente é a fábrica na Hungria, que irá iniciar suas atividades no quarto trimestre deste ano.
Ainda que tenha ficado em sétimo lugar em produção no ano passado, a aBYD superou a Tesla como o maior fabricante de elétricos puros (e perdeu o título no começo deste ano, e ganhou novamente, numa disputa acirrada mês a mês).
A BYD como um todo é uma aposta no futuro. Se ela fica em sétimo em unidades produzidas, ela supera todas as outras em número de funcionários, com 968 mil empregados. Isso supera o Grupo Volkswagen, com 656 mil, e é quase o dobro da Toyota, que tem 389 mil. A razão é que a empresa investe muito pesado em pesquisa e desenvolvimento, que ocupa cerca de 100 mil dessas posições, e em integração vertical, produzindo basicamente tudo em seus modelos – o que é o segredo para seus preços.
Via Automotive World
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