Após 21 anos de aposentadoria do compacto A2, a Audi acaba de lançar o crossover A2 e-tron. É um modelo criado, segundo a marca de luxo da Volkswagen, para “repensar o ideal de eficiência” dos veículos elétricos. Com consumo de apenas 12,8 kWh/100 km ae autonomia de até 646 km (WLTP), o carro cumpre a promessa: ele é realmente o mais eficiente já lançado pela empresa.

A conta da eficiência, porém, depende da configuração e merece uma lupa. O consumo de 12,8 kWh/100 km pertence ao A2 e-tron de 140 kW, equipado com bateria de 61 kWh e pacote de eficiência opcional.

Esse consumo é mais que o oficial – o homologado pelo Inmetro – do Dolphin Mini. Com 280 km de autonomia para uma bateria de 38,8 kWh, ele consumiria em média 13,85 kWh por 100 km. (Pelos números da BYD, com 380 km de autonomia, ele consumiria 10,2 kWh por 100 km. No nosso teste, ele ficou entre os dois.)

Já os 646 km de autonomia são alcançados pela versão de 170 kW (231 cv), com bateria de 84 kWh. Ao todo, são quatro níveis de potência, de 125 kW a 240 kW (170 cv a 340 cv), e três baterias de 52, 61 e 84 kWh, podendo fazer de 0 a 100 km/h em 5,7 s na versão mais potente. Todas as versões têm tração traseira.

Os bons resultados, superiores a de outros modelos da Audi, são possíveis graças a um coeficiente aerodinâmico de 0,24 e a um conjunto de soluções que inclui assoalho quase totalmente fechado, entrada de ar frontal controlável, rodas aerodinâmicas e elementos que reduzem a turbulência nos para-lamas. O A2 também usa motores síncronos de ímã permanente e semicondutores de carbeto de silício para reduzir perdas no sistema de propulsão.

Compacto, mas amplo internamente

A carroceria do Audi A2 e-tron mede 4,32 metros de comprimento, 1,79 m de largura e 1,55 m de altura, com uma distância entre eixos de 2,77 metros, e um peso máximo de 1.915 kg, na versão com a maior bateria. Os balanços são curtos e a linha de teto desce progressivamente em direção à traseira, uma solução que ajuda a explicar como a Audi conseguiu combinar dimensões compactas com bom aproveitamento interno.

Desenvolvido para o mercado europeu, o veículo tem um espaço interno amplo, teto panorâmico de 1,6 m² e porta-malas de 396 litros, que chega a 1.336 litros com os bancos traseiros rebatidos. O interior ainda estreia no segmento premium o sistema de fixação magnética Fidlock. Mais de 300 componentes podem utilizar materiais reciclados, incluindo aço, alumínio e plásticos.

O A2 e-tron também oferece carregamento bidirecional. O V2L permite alimentar equipamentos externos, enquanto o V2H pode transformar a bateria em armazenamento de energia para a residência. Esse último recurso, inicialmente, estará disponível na Alemanha, Áustria e Suíça, dependendo da infraestrutura de carregamento.

Produzido em Ingolstadt, o modelo aproveita mais de 1.200 componentes de produção já existentes e cerca de 250 robôs. Segundo a Audi, isso ajudou a reduzir em 21 meses o tempo de desenvolvimento em relação a modelos anteriores. As encomendas começam em 10 de setembro de 2026, com entregas a partir de dezembro e preço inicial de 38.200 euros na Alemanha (~R$227 mil na conversão direta para a nossa moeda).

No Brasil, o A2 e-tron ainda não tem lançamento confirmado pela Audi. Ficamos curiosos pelos reviews de testes para entender melhor como ele funciona na prática, mas torcemos para que ele faça companhia ao SQ6 Sportback e-tron nas lojas brasileiras. De cara, destacamos como o projeto adota uma estratégia diferente da corrida por baterias cada vez maiores: extrair mais quilômetros de cada kWh.

Via Audi