
A Ford quer provar que consegue competir com as fabricantes chinesas no mercado de carros elétricos sem depender de baterias maiores ou mais caras. Durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre de 2026, o CEO Jim Farley afirmou que os motores, inversores e caixas de câmbio da nova plataforma elétrica da empresa são cerca de 30% mais eficientes que os da BYD.
Segundo o executivo, essa vantagem permitirá reduzir o tamanho da bateria e, consequentemente, o custo de produção dos próximos modelos da marca. Farley não apresentou detalhes sobre a metodologia utilizada para chegar aos 30%, nem especificou quais modelos da BYD serviram de referência.
A picape média será o primeiro veículo construído sobre a plataforma UEV e tem preço inicial anunciado de US$ 28.350 (~R$ 155 mil em conversão direta). A Ford também trabalha com uma arquitetura elétrica simplificada, redução no número de peças e grandes estruturas de alumínio fundido para diminuir custos de produção.
Razões para acreditar na Ford?
A Ford não apresentou provas, mas seria algo temerário simplesmente inventar isso às vésperas do lançamento de seu modelo. Além de que faz sentido para um fabricante ocidental investir em eficiência do motor como uma forma de enfrentar os chineses, já que não conseguem competir em custos de produção.
Por exemplo, a Volkswagen apresentou recentemente um conceito duas vezes mais eficiente que um Dolphin Mini. O BMW i3 também apresentou um consumo menor que o subcompacto da BYD em um teste. Não é o baixo consumo dos motores a razão do sucesso dos chineses, enfim.
Essa eficiência é uma forma de para manter o preço da Fathom abaixo dos US$ 30 mil – já que permite baterias menores e mais baratas para um mesmo alcance. Na nova plataforma, elas terão química lítio-ferro-fosfato (LFP), que é outra inovação. Essa é a mesma tecnologia usada pelos chineses, substituindo as baterias de níquel-manganês-cobalto (NMC) usadas na finada F-150 Lightning.
Baterias NMC costumavam ser as favoritas de fabricantes ocidentais porque têm maior densidade energética, sendo mais leves que as LFP para uma capacidade equivalente. Mas são bem mais caras e menos seguras que essas.
A capacidade da bateria e a autonomia esperada não foram publicadas oficialmente, mas a Ford informa que a picape terá uma bateria de “autonomia padrão”, o que impede confirmar as estimativas anteriores de capacidade entre 50 e 60 kWh e alcance superior a 320 km.
Para além do preço
Mas a redução de custos não é o único objetivo da nova arquitetura. A Fathom também terá carregamento bidirecional, permitindo que a energia armazenada na bateria seja enviada de volta para uma residência. O sistema poderá fornecer mais de 10 kW de potência em corrente alternada (AC), sem exigir um inversor externo instalado na parede.
Segundo a Ford, serão duas possibilidades de uso: carregar a picape nos horários em que a eletricidade é mais barata e utilizar essa energia em casa quando as tarifas estiverem mais altas; ou alimentar os equipamentos da residência durante interrupções no fornecimento. Para isso, serão necessários o carregador Home Power Station e, no caso do sistema de emergência, um painel adicional de backup.
A empresa estima que os dois equipamentos custarão juntos US$ 2.255 (aproximadamente R$ 12,3 mil), sem incluir instalação e assinatura de serviços. A Ford também trabalha com cinco concessionárias de energia para facilitar a integração dos veículos à rede elétrica.
Outro detalhe importante é que os ganhos de eficiência não ficarão restritos aos elétricos. Kumar Galhotra, diretor de operações da Ford, confirmou que os motores desenvolvidos para a UEV já estão sendo aproveitados nos sistemas híbridos de outros modelos da marca. O lançamento da Fathom é bastante provável no Brasil, mas ainda não foi confirmado pela fabricante.
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