
Uma pesquisa da Here Technologies e SBD Automotive revelou que, por conta dos aumentos de combustíveis causados pela crise do Estreito de Ormuz, 56% dos americanos disseram que estão mais propensos a considerar carros elétricos.
Esses números são revelados ao mesmo tempo que o diesel atinge sua máxima histórica nos EUA, a US$ 6 por galão (com um galão tem 3,785 litros, isso dá US$ 1,58 por litro, ou cerca de R$ 8,15). A gasolina também segue em alta, com vários estados registrando valores que superam a máxima nacional histórica de US$ 6,02 (corrigidos), registrada no auge da crise de 2008.
Os EUA são porém um dos países mais reticentes em elétricos: no mundo inteiro, são 70% dos respondentes dizendo que a crise os fez reconsiderar sua posição sobre carros elétricos. E, quando a pergunta é a decisão tomada, apenas 11% dos donos de carros a combustão interna nos EUA dizem que provavelmente seu próximo carro será elétrico, empatando com França e Itália como o número mais baixo.
Quanto aos donos de elétricos americanos, a opinião é quase idêntica à mundial: em média, 76% dizem que seu próximo carro será elétrico, um número que é ligeiramente superior, 77%, nos EUA e Europa.
Esse número, porém, é bem mais baixo que outra pesquisa realizada no final do ano passado, da J.D. Power, na qual 94% dos donos de EVs disseram que não comprariam um carro a combustão interna. Além disso, a consideração por híbridos (plug-in ou não) entre os donos de EVs subiu de 23% para 28% em um ano (mundialmente).
Sinais duplos do governo dos EUA
No que concerne a elétricos, semana passada, foi um momento ambíguo para a indústria automotiva nos EUA. Na terça-feira, dia 8, o secretário do Departamento de Transportes dos EUA mandou uma carta ao CEO da Ford, Jim Farley, exigindo que a empresa cancelasse suas conexões com fabricantes chineses como a CATL, que provê baterias para seus modelos elétricos e a Geely, com quem está dividindo uma fábrica na Espanha.
E, na última sexta-feira, o dia em que foram lembrados os 25 anos do 11 de setembro, o presidente Donald Trump afirmou que poderia aceitar os fabricantes chineses nos EUA.
Numa entrevista à rede de TV Fox News, ele afirmou: “Se a China quisesse chegar e abrir uma fábrica para fazer os carros deles aqui, eu estaria OK com isso. O Japão faz isso, mas eles contratam nossas pessoas. O mais importante é que eles contratem nossas pessoas”.
A aparente posição de Trump contraria a de membros de seu próprio Partido Republicano, que já chamaram carros chineses de “câncer” que deveria ser banido mundialmente. E também à indústria americana, que pede para que barre os chineses (exceto se de mãos dadas com eles, como no caso da Ford). E ela vem a poucos dias da visita do presidente da China, Xi Jinping, aos EUA, que deve ocorrer dia 24 de setembro.
Como em muitos outros temas, é difícil ter certeza do que será a decisão final do mandachuva dos EUA. Ainda que tenha sido ele a desfazer os subsídios para carros elétricos em seu país, como parte de sua pauta (não é nem controverso dizer) antiambiental, a proibição prática dos chineses aconteceu no mandato anterior, do democrata Joe Biden. Com sua guerra ao Irã se estendendo e causando o caos no preço dos combustíveis, Trump está se tornando o mais improvável (e involuntário) herói da eletrificação.
Via Here
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