Painel de instrumentos dos novos modelos da Hyundai, como o Ioniq 3
O painel opcional | Hyundai / Divulgação

A informação vem inicialmente da Coreia do Sul. O novo Ioniq 3 e mais dois modelos a combustão interna nas versões deste ano, o Grandeur e o Elantra, ganharam uma pequena tela de instrumentos, com 9,9 polegadas, acima do volante.

Os carros são equipados com o sistema Pleos Connect, baseado no Android Automotive OS, e possuem telas grandes: 17,9″ no Grandeur e 12,9″ ou 14,6″ no Ioniq 3 e no Elantra.

O problema é que essa nova tela de instrumentos é opcional. Em suas especificações fornecidas pela Hyundai, ela não consta nas versões de entrada. Quem quiser um deles ou compra uma versão superior ou desembolsa mais 350 mil wons (R$ 1.312) marcando uma caixa de verificação no site de compra do carro.

A Hyundai não inventou a ausência do painel: a Tesla iniciou a moda com o Model 3, Model Y e o Cybertruck. A Volvo adotou a tendência com o malfadado EX30.

É proibido carro sem painel de instrumentos no Brasil?

O que nos leva ao Brasil: a resolução 912 do Contran de 2022, que é a versão atualizada de resoluções similares muito mais antigas, determina a obrigatoriedade de velocímetro num carro. Ele geralmente vai no painel de instrumentos, mas a resolução não diz nada sobre onde ele deve estar, nem menciona o conceito de painel em si.

Tanto não é obrigatório o painel de instrumentos que o Volvo EX30 foi vendido no Brasil sem o painel, sem qualquer impedimento legal.

A tendência de design automotivo no momento parece ir na direção oposta à de concentrar funções na tela central. A nova marca do Grupo Volkswagen, a Scout Motors, basicamente vende como uma vantagem ter controles físicos para tudo. A Ferrari Luce foi um lançamento controverso, mas seu interior for elogiado universalmente: foi projetado com o máximo de controles e instrumentos físicos – incluindo, obviamente, um painel. Até mesmo sua central de mídia tem botões físicos.

Já comentamos sobre isso antes, e sempre é um ponto que levamos em consideração em nossos testes: controles físicos e o painel de instrumentos não são nostalgia (como sons de motores a combustão em carros elétricos), mas recursos de segurança, evitando que o motorista olhe para a central de mídia enquanto está dirigindo.

Como é uma medida para cortar custos, e como fabricantes tradicionais estão suando muito para competir com os chineses nesse quesito, é bem capaz que a moda pegue.

Via Motor1